Paciente relatou dificuldade para encontrar insulina e insumos na UBS — Foto: Reprodução/TV Diário

Paciente relatou que não encontra insulina e insumos na UBS do Parque Recanto Mônica desde fevereiro. Também há relatos sobre a falta de outros medicamentos.

Um paciente com diabetes reclamou da falta de insulina e de insumos na rede municipal de Itaquaquecetuba. Além disso, também há relatos de falta de outros medicamentos.

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Na manhã desta sexta-feira (7), o nível de glicemia do garçom Plínio Diamentino Cordeiro era de 278 em jejum. Mas, na quinta-feira, esse nível chegou a 500.

Por ser diabético, Plínio precisa aplicar insulina três vezes ao dia. O problema é que, há três meses, ele não tem aplicado porque não encontra insumos na UBS perto da casa dele.

“Eu chego lá, apresento a receita na farmácia e não tem insulina. Simplesmente assim. Pergunto o que eu faço, e eles dizem que não podem fazer nada. É a única resposta que eles dão para nós”.

Para tratar a doença, ele e a esposa tiveram de ir para outro município, já que, há mais de um ano, aguardam uma consulta com um médico endocrinologista para Plínio. Como o cadastro foi feito na UBS do Parque Recanto Mônica, ele não pode retirar os insumos em outra unidade.

“Eu sou cadastrado nessa UBS, do Recanto Mônica, então é o lugar onde tenho que pegar os insumos. A minha insulina, as seringas, tudo. Só que aqui não estou conseguindo desde fevereiro”.

“Eu não posso sair para trabalhar e deixar uma pessoa com 500 de diabetes. E ela falou assim: ‘Olha, não tem mais o que fazer. Procurem o direito de vocês. Vão ao fórum, à delegacia’. Eu falei que vou fazer isso então, porque não posso esperar. E não sou só eu. Tem muita gente esperando. Aí vai cair em um hospital agora e pegar Covid-19. Não morreu de diabetes ou de descaso da Prefeitura. Morreu de Covid”, falou a esposa de Plínio, a técnica em enfermagem Helena Cordeiro Queiroz.

“Eu tenho medo de ele ficar cego, de convulsionar. Se ele estiver aqui dentro sozinho e convulsionar, quem vai socorrê-lo?”, completou a esposa.

A equipe da TV Diário foi até a UBS do Parque Recanto Mônica e perguntou se os produtos para a aplicação da insulina já estavam na unidade. Um funcionário informou que, com ele, não havia insulina NPH, agulha e seringa simples.


Na porta da UBS, a reportagem encontrou a dona de casa Luciana Bonifácio, que foi buscar medicamento controlado para ela e para o filho, que tem convulsões, mas voltou para casa sem os remédios.

“Já faz mais de três meses que estou vindo buscar e não tem remédio controlado. Já troquei a receita. Hoje vim aí e ele disse que remédio controlado não está vindo para essa UBS. Agora está me mandando ir para Mogi das Cruzes. No Centro de Itaquaquecetuba já fui e não estou achando. Está muito difícil. Sem esse remédio, meu menino não pode ir para a escola, sair de casa, nada”.

Sobre os medicamentos controlados, a Prefeitura de Itaquaquecetuba disse que a gestão passada não continuou os processos de licitação para medicamentos. Por isso, a atual gestão começou outro processo para tentar repor. Como alternativa, disse que negocia o “Haldol Decanoato” com outros municípios.

Sobre a insulina, a Prefeitura disse que o Estado não está entregando a grade total de insulina e que o controle e o cadastro são feitos na UBS de origem do paciente para haver esse controle e fazer o pedido ao Estado. Disse ainda que, quando o paciente não consegue na unidade, pode pegar em outra. A Prefeitura afirmou que os insumos de diabetes não estão faltando.

Já a Secretaria Estadual de Saúde disse que o medicamento “NPH regular” faz parte da lista de remédios adquiridos pelo Ministério da Saúde e que o Estado apenas redistribui. Informou ainda que o Estado recebeu nesta sexta-feira e vai distribuir para as redes municipais nos próximos dias.

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